quarta-feira, 15 de outubro de 2014

A hiperventilação


A intensificação voluntária do ritmo respiratório para além da demanda metabólica provoca, geralmente,  uma série de reações. As duas mais comuns são manifestações emocionais intensas e uma variedade de sintomas físicos cujas características examinaremos mais adiante. Os motivos e o significado psicodinâmico destas reações foram abordados no texto A restauração do sistema emocional.  Examinaremos aqui os mecanismos fisiológicos subjacentes, até onde são compreendidos atualmente.

O aumento acentuado do ritmo respiratório  leva a uma eliminação rápida de grandes quantidades de dióxido de carbono,  provocando uma queda nos níveis da pressão arterial de CO2 (PCO2)  e, assim, a uma alcalose respiratória. A diminuição do nível sangüíneo de dióxido de carbono (hipocapnia) induzida pela hiperventilação  tem um efeito imediato sobre a circulação cerebral. O dióxido de carbono é o mais importante regulador do tônus cerebral vascular. A hipocapnia causa uma vasoconstrição imediata levando à hipóxia cerebral. Os efeitos da hipóxia são potencializados pelo efeito da alcalose   sobre a curva de dissociação da hemoglobina, que é desviada para a esquerda (efeito de Bohr). O efeito do desvio é uma diminuição tanto da quantidade de oxigênio  disponível a partir da hemoglobina quanto do ritmo de sua liberação.  O resultado final é que há menos sangue no cérebro, menos oxigênio,  e este é liberado mais lentamente. Tais efeitos são imediatos. Por isso as manifestações mais comuns e mais rapidamente produzidas  pela hipocapnia são  tonteira e perturbações visuais. A tonteira é um efeito que se observa quase sempre que uma pessoa inicia o processo de intensificação voluntária da respiração. Entretanto, ela desaparece rapidamente, pois os mecanismos de auto-regulagem do organismo logo entram em ação.

Um aspecto  interessante do fenômeno, principalmente devido ao seu potencial  terapêutico  inerente, é que a vasoconstrição cerebral conseqüente à hipocapnia é diferenciada, isto é, algumas áreas são mais afetadas por ela, enquanto outras o são menos,  ou nada. É compreensível que aquelas estruturas responsáveis pela manutenção das funções vitais, por exemplo, sejam mais resistentes a flutuações potencialmente prejudiciais. Já as áreas corticais, menos importantes para a sobrevivência imediata, podem ser mais facilmente afetadas sem risco para o organismo. Enfim, as oscilações hemodinâmicas derivadas da hipocapnia levam a uma modificação do funcionamento das estruturas cerebrais. Esta modificação leva a uma substituição da integração cortical pela diencefálico-estriada, isto é, os mecanismos corticais de controle encontram-se temporariamente atenuados em favor dos diencefálicos. Em pesquisa realizada na Rússia sobre os efeitos fisiológicos de técnicas respiratórias utilizadas com objetivos terapêuticos, os dados experimentais mostraram que as pessoas são capazes de manter, através do controle voluntário da respiração, o nível de hipocapnia necessário para induzir tal modificação do estado de consciência (Terekhin, 1996).

Essa modificação parece ser responsável pela ativação dos mecanismos endógenos que levam à restauração do equilíbrio emocional através das manifestações emocionais intensas  que ocorrem  com a aplicação das  técnicas de respiração controlada utilizadas no workshop A conexão mente-corpo e em outros contextos terapêuticos. Estando os controles corticais temporariamente inibidos e as estruturas subcorticais liberadas, e ativadas,  mecanismos endógenos de auto-regulagem  entram em ação, processos emocionais incompletos são ativados e tendem a se completar autonomamente. Dito de outra forma, a pessoa vive o que precisa viver para se equilibrar, experienciando  sentimentos que estavam bloqueados (bem como as memórias a eles associadas), de acordo com sua psicodinâmica específica,  e os integra à consciência. Isomorficamente, no nível puramente biológico, isto significa que o organismo está  eliminando a carga alostática. 


José Maria Martins
in http://www.josemariamartins.com.br/index.php?option=com_content&view=article&catid=35:saude-emocional&id=60:sobre-a-fisiologia-da-hiperventilacao&Itemid=54

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

O verdadeiro diferencial de espécie

Há dias, não foram assim tantos, ao chegar a casa deparei-me com uma tristíssima cena. Um gatinho amarelo assustado encolhia-se contra a parede sem reação aparente a qualquer estímulo! Eu própria tenho duas gatas e no jardim de casa elas exploram tudo o que por lá passa, como se agentes alfandegários se tratassem. Por vezes encontro-as em posições estratégicas, tal e qual uma batalha naval com os pardais, outras vezes elas estão concentradíssimas a jogar ao sério com os gatos amigos que vão fazendo.
Perante o inerte gato, uma das minhas gatas olhava, como se se interogasse o que estaria ele ali a fazer. Quando nos aproximamos, nem apresentou fuga, deixou que pegássemos nele e então apercebemo-nos que estava mal, que era sério. Levamo-lo para o veterinário mas o fim já estava anunciado quando primeiro colocamos os olhos nele. :-(
As minhas gatas ensinam-me muito. e desta vez pude também perceber algo mais sobre a natureza humana. Chegamos aonde estamos em termos civilizacionais porque temos uma células no cérebro inacreditáveis que ao verem o sofrimento alheio, assimilam-nos como sendo o próprio: temos empatia! Será que as gatas também têm isso?

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Meditation


You should sit in meditation for 
20 minutes everyday! 

Unless you're too busy, then you should meditate for one hour!