quinta-feira, 23 de abril de 2009

O praticante de Yôga deve ser passivo ou pacífico?

"Na escritura Bhagavad Gítá, Krishna exorta o príncipe Arjuna a combater seus adversários, num momento em que ele hesitava por razões éticas. Séculos mais tarde, Rámakrishna reforça essa postura com a parábola da serpente.

Certa vez, os habitantes de uma aldeia foram procurar um sábio yôgi para pedir seus conselhos:
- Mestre, nas imediações de nossas plantações vive uma cobra perigosíssima que a todos ataca indiscriminadamente, matando homens, mulheres, velhos e crianças sem piedade. Todos temos medo de ir para o campo trabalhar. Que devemos fazer?
O yôgi disse-lhes que voltassem para suas choupanas e que ele iria falar com a serpente. Na manhã seguinte, bem cedo, foi ter com ela. Não precisou procurar muito, porque o ofídio estava sempre por perto do vilarejo. Era uma majestosa naja, de respeitável tamanho. O sábio se aproximou sem temor, sentou-se perto dela e passou-lhe um belo sermão sobre ahimsa, o princípio ética de não-agressão. Certo de que sua ouvinte compreendera, levantou-se e partiu. Dali a alguns dias, foi procurado pela serpente:

- Mestre, o senhor me aconselhou a não atacar as pessoas e assim o fiz. Aos poucos os aldeões foram se convencendo de que eu não lhes oferecia perigo e passaram a me perseguir e agredir de todas as formas. Veja como estou toda machucada de pedradas.
Então o yôgi retrucou:

- Minha filha. Aconselhei que não picasses, não proibi que silvasses."

texto extraído do livro Quando é preciso ser forte, do Mestre DeRose

Rámakrishna foi um grande Mestre de Yôga de linha Tantra-Vêdánta do século XIX. Um dos mais excêntricos até hoje, reconhecidamente iluminado, embora iletrado. É uma das figuras mais impressionantes da história do Yôga.

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